SE PRECISAR CLICK AQUI PARA TRADUZIR

quinta-feira, julho 05, 2007

POESIA DE ADÉLIA PRADO

Pranto para Comover Jonathan

Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.

Mais triste do que a morte,
mais desesperançadodo que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.



Descobri hoje não por acaso as poesias desta escritora, que parece-me, pelas poesias que li, ter muito a ver comigo.


Tempo

A mim que desde a infância venho vindo

como se o meu destinofosse o exato destino de uma estrela

apelam incríveis coisas:

pintar as unhas, descobrir a nuca,piscar os olhos, beber.

Tomo o nome de Deus num vão.

Descobri que a seu tempo

vão me chorar e esquecer.

Vinte anos mais vinte é o que tenho,

mulher ocidental que se fosse homem

amaria chamar-se Eliud Jonathan.

Neste exato momento do dia vinte de julho

de mil novecentos e setenta e seis,

o céu é bruma, está frio, estou feia,acabo de receber um beijo pelo correio.

Quarenta anos:

não quero faca nem queijo.

Quero a fome.



___.___

Tenho vinte mais vinte e um. Há dois meses, descobri a nuca- cortei meu cabelo curto - "moderno?", pintei as unhas hoje. Pra me sentir mais bela. Bem arrumada. Tinha festinha na escola, de despedida do semestre.

Não queria me chamar Eliud, nem sei como me chamariase não fosse mulher.

Fiz quarenta em 2006. Neste exato momento, não estou feia, me sinto bonita, está frio.

Tenho fome: fome de viver, de me reconstruir, de crescer, de amar mais e mais, a tudo, a todos.






foto tirada do site: www.laurapoesias.com/datas_especiais/mulher/m...
Postar um comentário