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domingo, fevereiro 05, 2012

Eu sou egoísta?

Será?
Ou sou fraca?
Na missa hj ouve uma oração que falava em nos tornarmos servos.
Eu não tenho esse dom. acho.
Não sei servir somente.
Não sei estar totalmente disponível para quem precisa de mim neste momento!
Não consigo ser cuidadora.
Não consigo não ficar nervosa.

ou irritada.
Não quero falar apenas em doença.
Em comer, fazer coco. Dor disso, fraqueza.

Acho que a fraca sou eu.
Não quero representar os papeis que esperam de mim.

Não fui viajar nestas ferias, por causa da saúde do meu pai.
Ele não esteve bem desde o dia que a Andreia voltou para Blumenau.

A San passou uma noite toda com ele no pronto socorro da vila.
A su e Déa cuidaram dele o mês todo.
E eu?
O que faço?
Peço a Deus para ter misericórdia dele. Peço a Deus que me de paciência com minha mãe.
Ele não é um doente fácil também.
Se recusa a tomar remédios e tem muito medo da dor.
Tem sentido fraqueza e não tem funcionado muito bem o intestino e digestão.
Eu sei de tudo isso.
Levei ele duas vezes no UPA.
Fui com ele nas duas consultas da Dra Rosyane.
E só.
Só.

Mas isto nao é uma competição, é?
Para ver quem ajuda mais. quem ama mais, quem cuida mais!
Para quem ficou a carga é bem dificil tambem.
Estar la e em sua vida.

Hj ele me disse que era dificil pensar em outras coisas que nao o quanto comeu ou se o intestino funcionara.
Disse a ele que precisava ler, ou jogar, ou se distrair tb para nao pensar tanto na doença.
Ele disse que para mim era facil pq tenho saude,
E eu disse que ate os oitenta ele tb teve!

Sera que estou sendo injusta?
SEra que estou sendo tao egoista ?
Não gosto de falar em doenças e dores.MEu Deus!
nao sirvo para ser enfermeira ou cuidadora. nao sirvo mesmo.

Tomara que eu possa ajudar de alguma forma .


Pretendo ir viajar semana que vem, porque creio eu que ele ja esta melhor.
Não me julguem irmas, pelo amor de Deus!


Doentes e doenças

Ter uma pessoa gravemente doente na família nos desestabiliza.
Deixa nos impotentes diante da dor e do sofrimento do doente e de quem cuida do doente também.
A iminência de um final, não da doença, mas da pessoa que amamos nos modifica.
Nos gasta. Nos traumatiza. Nos enche de dor e mágoas.
A mim ainda mais uma coisa: me enche de raiva.
Raiva da doença, raiva de um sistema de saúde falho e precário, raiva da impotência diante do que esta acontecendo.
Me enche de medo. Medo dele sofrer mais, medo de não fazer o bastante, medo de errar nas condutas.
Me torna difícil.
Difícil de me aguentar, quando só penso em doença, em feridas, em conflitos a resolver...