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quarta-feira, junho 25, 2008

Autismo

Autismo


Um Transtorno Global do Desenvolvimento, uma palavra desconhecida para muitos. Talvez você já tenha visto algum filme que retrate autistas e tenha ficado com a idéia de que são "muito inteligentes" ou "fechados em seu próprio mundo ", duas expressões que os, pais de autistas, ouvem muito, mas que não correspondem a toda a realidade.
Aos dois anos, espera-se que uma criança seja dona de um bom vocabulário, converse, ria... Algumas, no entanto, chegam a essa idade e não falam, se isolam, ficam horas olhando para o nada, agem como surdas. Depois de uma longa peregrinação por consultórios médicos, os pais, com alguma sorte, podem encontrar alguém que fale em autismo. Uma palavra desconhecida por muitos.
O autismo desafia: não se conhecem as causas. É um dos grandes distúrbios da comunicação humana. Compromete a socialização, a comunicação e a imaginação. Manifesta-se até os 3 anos e ocorre quatro vezes mais em meninos do que em meninas. Pode ser acompanhado de outros distúrbios, como depressão, epilepsia e hiperatividade. Varia do mais severo ao mais leve comprometimento, o que pode confundir o diagnóstico e leva muitas vezes a um tratamento inadequado.
Certas características que podem aparecer – ou não – em uma criança levantam a suspeita de autismo: 1) usa as pessoas como ferramentas; 2) fica nervoso com mudanças de rotina; 3) não se mistura com outras crianças; 4) apega-se demais a objetos; 5) às vezes, não mantém contato visual (não olha nos olhos); 6) às vezes, age como se fosse surdo; 7) resiste ao aprendizado; 8) pode não mostrar medo de perigos; 9) mostra risos e movimentos não apropriados; 10) gosta de girar objetos; 11) às vezes é agressivo e destrutivo; 12) tem modo e comportamento indiferente e arredio.

Diagnóstico

O Autismo está classificado sob o CID-10 (Código Internacional de Doenças).
Com base nas normas médicas norte-americanas (DSM-IV - simplificado), para ser classificada como autista, uma criança deve mostrar seis ou mais dos itens abaixo, com pelo menos dois do grupo 1, um do grupo 2 e um do grupo 3:
Prejuízos na interação social: a) prejuízo acentuado no uso de comportamentos não-verbais (contato visual, expressão facial, gestos); b) fracasso em fazer amigos; c) não tenta compartilhar suas emoções (por exemplo, não mostra uma coisa que gostou); d) falta de reciprocidade social ou emocional.
Prejuízos na comunicação: a) atraso ou falta de linguagem falada; b) nos que falam, dificuldade muito grande em iniciar ou manter uma conversa; c) uso estereotipado e repetitivo da linguagem; d) falta de jogos de imitação.
Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades: a) preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados; b) assumir de forma inflexível rotinas ou rituais (ter " manias" ou focalizar-se em um único assunto de interesse); c) maneirismos motores estereotipados (agitar, torcer ou bater as mãos, por exemplo); d) preocupação insistente com partes de objetos, em vez do todo (fixação na roda de um carrinho, por exemplo).
Filmes
Hollywood fantasia muito o autismo.

Talvez Raun Kaufman seja a pessoa autista mais conhecida. A luta de seus pais nos anos 70, quando ele era bebê, está no filme Meu filho, meu mundo. Hoje, ele é pedagogo.
O primeiro grande filme com personagem autista foi Rain Man, com Dustin Hofman e Tom Cruise. Rapaz tira o irmão autista da clínica, levando-o em uma viagem de carro através dos EUA e descobrindo, enfim, o que é ter uma família. Habilidades de memória e cálculo só acontecem com 10% dos autistas.
Código para o Inferno, com Bruce Willis, embora fantasie as habilidades do menino que descobre um código secreto, é muito fiel ao comportamento de crianças autistas.
Em Experimentando a vida, Elisabeth Shue é Molly. Quando a instituição em que passou toda sua vida é fechada, seu irmão precisa cuidar dela. Uma experiência científica lhe dá condição de falar e ela conta o que sente.
Loucos de Amor retrata o romance e as desavenças entre um casal de portadores da Síndrome de Asperger, o autismo de alto funcionamento.
Vida de autista.
Autistas podem evoluir muito. Alguns têm vida normal, casam-se e exercem uma profissão, embora estes sejam em grande minoria.

Se houvessem políticas públicas voltadas para o autismo, certamente o desenvolvimento dessas pessoas seria em número muito maior do que é atualmente.
Como todo mundo, a criança autista precisa de afeto, compreensão, paciência e, claro, Educação. O ensino deve ser adaptado a suas necessidades. Na maioria, as pessoas autistas têm boa memória visual, boa compreensão de imagens, dificuldade de concentração e hiperatividade. Quem convive com elas deve agir positivamente, compreendendo que são pessoas com um jeito diferente de ver o mundo. Os progressos aparecerão.
Intervenção precoce, participação da família, aceitação, compreensão, paciência, amor e afeto, sem esquecer de ensinar limites, é a melhor receita, para qualquer pessoa.
Afinal, a grande meta de pais, familiares, terapeutas, médicos, psicólogos e educadores deve ser, sempre, que a criança seja feliz, autônoma e independente .

Texto escrito por Fernando Cotta - Pai do Fernandinho, Autista clássico, atualmente com 10 anos.


O Dia do Orgulho Autista é comemorado em todo o mundo em 18 de junho.

O que devemos fazer neste dia - Em 18 de junho devemos procurar falar sobre o autismo, trocar e-mails sobre o assunto, etc. Essencial lembrar de pessoas autistas e da luta de seus pais e familiares, das necessidades de políticas públicas para estas pessoas e procurar de alguma forma AJUDAR para que os responsáveis por essas pessoas possam incluir seus filhos nos serviços públicos e terapias adequadas, de forma que sintam orgulho de seus filhos.

Importante saber do que precisam.

Esse é o espírito do 18 de junho.

No dia 18 fale com seus amigos sobre as pessoas autistas !

O Movimento Orgulho Autista Brasil é uma Organização Não-Governamental (ONG), sem fins lucrativos, que busca a melhoria da qualidade de vida das pessoas autistas e de suas famílias. Para isso, engaja-se na obtenção de políticas públicas dos Governos Federal, Estadual e Municipal voltadas para essa camada da população. Apesar de essa entidade ter como lema "todos os pais e mães devem ter orgulho de seus filhos, inclusive os filhos autistas", existe a consciência de que para muitos isso só é possível com variadas terapias precocemente administradas. O grupo do Orgulho Autista respeita a neurodiversidade das pessoas, inclusive a forma diferenciada da percepção de mundo das pessoas autistas, e procura, dentre várias medidas, identificar indivíduos que possam ser autistas e encaminhá-los para diagnóstico e para as devidas terapias e trabalhar com parcerias visando o treinamento e a qualificação de profissionais para lidar com essas pessoas e mudar a triste história do autismo no Brasil. Em 2005, ano de criação da ONG, dentre outros eventos realizados, o Movimento Orgulho Autista Brasil promoveu o 1º Encontro Internacional de Autismo em Brasília. Em 2006, foram feitos Comandos de Saúde Preventivos, com a Polícia Rodoviária Federal e o Sest-Senat, em todo o Brasil, além de criar em âmbito nacional o Prêmio Orgulho Autista, inédito no Brasil, que visa estimular a participação dos mais diversos seguimentos da sociedade na luta pela "causa autista", agraciando pessoas, órgãos públicos, empresas privadas e entidades de todo o país, que contribuiram significativamente para a divulgação do autismo na realidade nacional. 2007 foi o ano de realização do II Encontro Internacional de Autismo em Brasília e da inclusão do autismo de forma direcionada nos orçamentos públicos, com a realização de diversas campanhas, inclusive sessão especial da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados em 18 de junho de 2007.O Movimento Orgulho Autista Brasil atua em vários estados brasileiros e não admite cobrança de entrada ou qualquer forma de taxa para ingresso em seus eventos.

18 de junho é o dia de criação da primeira instituição mundial que utilizou o termo "orgulho" junto a autismo - "Aspies for Freedom". No Brasil, foi criado o Movimento Orgulho Autista Brasil em 18 de junho de 2005.


Algumas perguntas freqüentes sobre o autismo
O que é o autismo?É uma alteração cerebral que afeta a capacidade da pessoa se comunicar e de se relacionar. Ou seja, perda de contato com a realidade e grande dificuldade ou impossibilidade de se comunicar, podendo se manifestar de diversas maneiras. É incapacitante e surge nos três primeiros anos de vida.
Como é feito o diagnóstico e quais os sintomas?Os pais são os primeiros a perceber que há algo de diferente com o bebê. Normalmente, a criança não demonstra interesse a estímulos. Infelizmente, não existem testes laboratoriais ou de imagem que possam diagnosticar o autismo. Esse diagnóstico é feito clinicamente com aplicação de questionários direcionados aos pais e com a observação da criança no seu desenvolvimento. O indivíduo autista rejeita o contato físico; não estabelece contato com os olhos; apresenta movimentos estereotipados como balançar as mãos ou balançar-se; demonstra atraso no desenvolvimento da linguagem (normalmente a criança fala de uma a duas palavras com sentido - mama ou papa - até um ano de idade). Além disso, há momentos que parece surdo e age como se não tomasse conhecimento do que acontece com os outros. Quanto antes for feito o diagnóstico, maiores são as possibilidades de melhorar a qualidade de vida do paciente.
Existe cura?A causa do autismo ainda não é conhecida. A cura também não existe, mas há possibilidades de mudar o prognóstico. É possível ter avanços no tratamento no sentido do paciente ter uma vida mais independente ou até mesmo de recuperar a capacidade de linguagem.
Qual a incidência?É muito alta. Enquanto há 50 casos de Síndrome de Down por cada 100 mil nascimentos, o autismo apresenta cerca de 130 casos para cada 100 mil nascidos.Por que ocorre o autismo?Segundo as pesquisas mais recentes, a causa principal seria genética com alteração na formação no cérebro da c riança por volta da 30ª semana da gestação.
Com é feito o tratamento? O tratamento envolve múltiplas especialidades como pediatria, psiquiatria infantil, fisioterapia, terapeuta ocupacional, assistente social e pedagogos. Além disso, há casos que necessitam de terapia medicamentosa para controlar sintomas negativos como surtos psicóticos, agressividade e convulsões.
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